fugiu… fugiu até não poder correr correr mais e então andou… andou até não conseguir aguentar nem outro passo além de todos os que já o tinham afastado do seu inferno!
talvez o procurassem, pensou! e se o procurassem, talvez o encontrassem… certamente que da escola informariam os pais; não que se importassem, mas porque a isso eram obrigados, afinal quando lá tinha sido despejado pelos pais, passaram a ser responsáveis por ele… como se necessitasse que alguém se responsabilizasse por ele!
pensou em continuar a fugir para não poder ser encontrado, mas pensou e soube que os pais não o procurariam! soube que os pais ficariam aliviados por ele ter desaparecido! certamente fingiriam preocupações e choros durante alguns dias, mas depois voltariam à sua alegre vida, como se ele nunca tivesse existido, afinal como sempre se comportaram!
ficou ali, quieto no escuro, sem comida e sem bebida… não se tinha lembrado que teria continuar a comer e beber depois de fugir do seu inferno… mas pela primeira vez na vida sentia-se feliz; era livre…

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