Arquivos Mensais: Fevereiro 2008

o tempo passou e a situação não melhorou… continuava a sentir-se um estranho na pele que ocupava.

 

ainda com terna idade, ainda um bebé demasiado crescido para a sua idade tentou integrar-se numa sociedade na qual verificava sem dúvida nenhuma, não estar preparada para ele!

 

fez tudo o que podia para ser expulso e poder voltar para a sua extremosa e para o seu pai ausente, mas por muito que tentasse, por muitas vezes que chamassem os seus pais para o levar… estes pagavam sempre mais e mais para não ter de o levar para casa…

 

mais uma vez, teve a sensação que os pais fariam tudo para não ter de o ver! não era a primeira vez que o sentia e certamente não seria a última!

 

ao contrário do habitual, sentia-se um lobo em pele de cordeiro…

o castigo foi físico, doloroso e duradouro!
o senhor vaz estava realmente mal disposto quando os foi buscar a ambos, às 5 da manhã e os obrigou a  vestir em completo silêncio e também em completo silêncio sair da camarata e acompanhá-lo pelos campos!
foram ter a um extenso campo com apenas uma construção no centro, aparentemente outra camarata e o sargento explicou-lhes que o castigo castigo existia para formá-los como homens, algo que as crianças não perceberam! … mas algo que tinham de cumprir…
entraram no edifício e como se adultos fossem, o sargento vaz ordenou-lhes que fossem para os quartos, que ficaram a saber eram dos oficiais da escola e começassem a arrumar as camas, que propositadamente tinham já ficado desfeitas… nesse dia, as duas crianças fizeram e voltaram a fazer as camas dos oficiais até o senhor vaz achar que ja era suficiente; faltaram à escola, não viram ninguém todo o dia… acabaram extenuados e no final ele perguntou a si próprio…
será que os seus pais sabiam daquilo? certamente que sim, afinal tinham sido eles a enviá-lo para lá!
será que se importavam como que lhe acontecia?…

em tempos que já lá vão, ainda o outeiro pertencia a cuba, vivia ali um jovem casal de mouros. ele chamava-se achmed; era um bonito mouro, alto, moreno, de cabelos muito negros e olhos da mesma cor, muito alegre. ela chamava-se hanna; muito bonita e esbelta, a pele morena clara, os cabelos longos e negros que penteava em trança durante o dia e nas noites de luar gostava de os soltar ao vento. e o seu amado achmed cantava baladas muito suaves que quase imitavam a água de uma fonte.

 

 

viviam felizes ali, no lugar do outeiro, que era muito sossegado, rodeado de um belo laranjal, amendoeiras e belíssimas palmeiras, cujas tâmaras eram queridas por toda as gentes, muitas léguas em redor, tendo até fama no califado de córdova.

 

 

até que um dia, a península começou a ser invadida por um povo bárbaro, de pele muito branca, de cabelos amarelos e que falavam uma língua muito estranha. eram muito destruidores, por onde passavam só deixavam miséria, destruição e infelicidade à sua volta. achmed ouviu falar assim dessa gente bárbara a uns viajantes que passaram pelo outeiro, mas não deu importância a esse facto e nada comentou com hanna para a não preocupar.

 

 

já nem se lembrava da conversa dos viajantes quando, numa madrugada iluminada pelo luar foi acordado por um grande barulho de vozes e resfolgar de cavalos; pensou que fossem viajantes ou compradores de tâmaras. levantou-se e foi espreitar para ver se via alguém.

 

 

quando ia a sair, por uma frincha que havia na porta, viu um homem que, ao ser iluminado por um archote, os seus cabelos muito amarelos pareciam açafrão e a pele muito branca, à luz da lua e dos archotes parecia mais branca do que na realidade era. lembrou-se então, da conversa dos viajantes.

 

 

ficou muito preocupado. foi acordar hanna, mandou-a esconder-se numa gruta ao lado da casa e tapar a entrada que ele ia ver o que aquela gente queria.

 

 

hanna assim fez. escondeu-se com a ajuda de achmed, que tapou a entrada da gruta, disfarçando-a muito bem. hanna já em segurança ficou à espreita por uma fresta que havia na gruta. e viu que achmed se dirigia para os bárbaros com o seu ar amistoso de sorriso no rosto, iluminado pela lua.

 

 

assim que se aproximou de um dos bárbaros, este com uma lança feriu-o, lançando-o logo por terra. e viu como mal tratavam o seu amado, como lhe rasgavam as roupas e esquartejavam o corpo.

 

 

ela gritou sem ser ouvida; tentou a todo o custo sair da gruta para ir em auxílio de achmed mas, não teve forças para afastar a pedra que tapava a entrada da gruta. viu tudo, sem poder fazer nada; viu o seu amado ferido de morte, o seu lugar tão bonito ser destruído e viu colocarem dois paus atados no cimo do outeiro. viu como aquela gente bárbara se ajoelhava diante desses paus e gritavam palavras que não entendia.

 

 

sem poder fazer nada, chorou, chorou muito, lágrimas de sangue pelo seu amado achmed.

essas lágrimas tantas, tantas … começaram a sair pela fresta existente na gruta, e hoje é uma fonte, cujas águas frescas formam um pequenino lago avermelhado. dizem que são águas ferrosas, mas nós sabemos que a verdade é outra – são as lágrimas de sangue de hanna que ainda hoje chora o seu amado e que nas noites de luar se passeia no lugar do outeiro de cabelos soltos e ao longe ouve-se cantar uma melodia muito suave que quase imita o correr fresco e cristalino da água de uma fonte.

estava pela primeira vez na vida num local com outras crianças da sua idade… tenho em crer que até algum momento ele pensou ser a única criança do mundo, pois nunca tinha visto nenhuma.
estava pela primeira vez num local com crianças das sua idade… dormia num quarto enorme com algumas delas… e nunca podia conversar com elas! ainda tentou algumas vezes meter conversa, mas tinha sempre apenas silêncio de resposta…
mas ele queria sentir o que era calor humano, queria fazer amigos… de tal forma desesperada que tentou algo que nunca tinha sido ensinado. no meio da noite saiu da sua cama e foi ter com um colega que lhe parecia desejar falar tanto quanto ele! e tinha razão, o guilherme, desde logo apelidado de gui com muita afeição, tornou-se no seu melhor e único amigo no mesmo momento em que se olharam!
mas eles não estavam num local onde pudessem conversar à vontade e assim, na terceira noite de companhia, aventuraram-se e saíram para ver a lua e as estrelas, mas o que viram logo à saída do dormitório foi o sr. vaz, o sargento vaz, que os mandou de imediato para a cama com a promessa de um castigo pela manhã!
ao primeiro dia apenas conheceu o sr. vaz e o refeitório, onde em incessante fila indiana tinham direito, ele e todos os outros proscritos das famílias a uma sopa, um prato de comida, que ninguém conseguia saber o que era, um copo de água e uma peça de fruta. nenhum destes itens era negociável, só podiam comer isto e tinham de comer tudo, gostassem ou não… chamavam-lhe incutir o respeito pelos mais velhos, logo e por definição, superiores!
à noite, conheceu um mundo novo que lhe deu algum alento e esperança que ali nem tudo teria de ser mau! finalmente conhecia outros da sua idade; dormiam cerca de 20 a 25 no seu quarto… uma camarata, o que é fácil de ver, o fez feliz!
mas a felicidade é sempre efémera e dura sempre muito menos do que o que desejamos. assim que entraram, todos juntos, na camarata e ele pensou que por uma vez poderia falar com os outros meninos e fazer amigos, foi-lhes de imediato ordenado que se deitassem e apagaram todas as luzes! todos estavam com medo ali, tal como ele… e ninguém falou nessa noite!

ele chegou à escola… internato… quartel; enfim, nem um adulto saberia como qualificar as instalações onde se encontrava, muito menos o saberia uma criança de 6 anos!

ele sabia como se sentia; abandonado era o sentimento que o envolvia, pelos pais, pela família, pelo mundo!

foi com esse sentimento na alma que lhe foi apresentado o seu superior… chamavam-lhe professor, mas pela forma de estar e de se apresentar desde logo ele pensou num corrector e não num professor: costas muito direitas, voz áspera e um tom autoritário. tinha acabado de conhecer o homem que o devia educar na ausência dos pais, o senhor vaz que insistia, não percebia ele porquê em ser tratado por sargento vaz e que acabasse todas as frases com um “senhor” em voz bem alta…

há estórias e há histórias e as lendas estão algures no meio das duas definições, na sua maior parte não chegam a ser história, mas têm sempre um fundo de verdade e esta que vos apresento é bem esclarecedora desta verdade!

 

creio que toda a gente conhece a lenda do milagre do sítio da nazaré, na qual d. fuas roupinho escapou por pouco às teias do diabo, que o tentou sob a forma de um veado. mas antes de recordarmos essa velha história vamos conhecer um pouco mais da figura desse semi-herói do tempo do primeiro rei de portugal.
d. fuas roupinho era um guerreiro de nobre ascendência, companheiro indómito de afonso henriques. diz a lenda que era seu meio-irmão, mas na verdade foi aio de um filho bastardo do velho conde d. henrique, d. pedro afonso, este sim meio-irmão e companheiro de armas de afonso henriques.
em 1179, d. fuas era alcaide-mor de coimbra. certo dia, encontrava-se ele no castelo de leiria, vieram trazer-lhe a notícia de que se encontrava na alcáçova de porto de mós o rei mouro de mérida, gamir, que, como era seu costume, repousava das batalhas naquela região sobre todas preferida pelas belezas naturais.
o cristão pensou que aquela era uma oportunidade única de livrar a península de mais alguns muçulmanos, já que nessa altura tinha consigo um grupo de guerreiros suficientemente forte e coeso para cair sobre os infiéis. assim, mandou os charameleiros, tocarem a reunir e algum tempo depois tinha reunidos no terreiro do castelo de leiria todos os cavaleiros que minutos antes andavam espalhados pela vila.
era um burburinho no terreiro. os ginetes de guerra escoiceavam impacientes, batendo com os cascos na terra seca e solta, obrigando os condéis a prodígios de força e equilíbrio para os segurarem. os cavaleiros, reunidos em trono de d. fuas roupinho, acompanhados pelos seus criados, combinavam a táctica da surtida. era um grupo ricamente colorido com os seus briais de cores vivas onde se viam as armas de suas casas, por debaixo dos quais brilhavam as cotas de malha. De capacete debaixo do braço e com as espadas e punhais prontas a utilizar, discutiam acaloradamente o melhor caminho a tomar para porto de mós de modo a não serem avistados pelas vigias mouras.
por fim, montaram precipitadamente e a hoste saiu de leiria num trote alegre e descuidado, parecendo querer desmentir a sanha guerreira com que viriam a atacar gamir e a sua gente.
destes, uns passeavam despreocupadamente pelos campos em redor de porto de mós e os outros descansavam na alcáçova. Nem uns nem outros deram pela chegada dos cristãos, e, apesar de serem muito mais numerosos do que a hoste de d. fuas, foram derrotados e chacinados, quase sem terem tido oportunidade de se defender.
os mouros sobreviventes foram levados como prisioneiros para coimbra, onde o alcaide-mor os entregou a d. afonso henriques. e, como recompensa, o rei deu a d. fuas a alcaidaria de porto de mós.
em seguida, d, fuas roupinho dirigiu-se a lisboa incumbido pelo rei de organizar, juntamente com os homens-bons da cidade, uma armada que fizesse frente aos mouros que na costa faziam corso e impediam a pesca e o tráfego comercial. já bem intenso nessa época.os portugueses de então não tinham grande prática da faina marítima, mas, utilizando os conhecimentos náuticos dos pescadores e a coragem e audácia natural dos guerreiros, foi-lhes possível vencer os piratas mouros. esta batalha deu-se junto ao cabo espichel e os vencedores trouxeram apresados vários navios que, segundo conta a lenda, lhes possibilitaram a surtida seguinte, até ceuta. aí surpreenderam os mouros, que novamente sofreram muitas baixas e perderam um grande número de navios, uns porque foram afundados, outros porque vieram para o reino.
conta-se que, depois destas batalhas, d. fuas roupinho foi para porto de mós repousar e praticar a dua distracção favorita: a montaria. diz a nossa história que tudo se passou no dia 14 de Setembro de 1182. d. fuas saíra com os companheiros para a mata do sítio. levavam lanças e bestas, os seus olifantes ou buzinas de caça e iam vestidos mais levemente do que quando partiram para a guerra. sobre as túnicas curtas tinham colocado uma capa que esvoaçava quando galopavam e em substituição da loriga tinham coberto os cabelos com gorros de pele.
lentamente, embrenharam-se nos caminhos da mata, olhando à volta com atenção para descortinarem entre o arvoredo as hastes de um veado ou rastos de lebres e javalis. estava um nevoeiro espesso e d. fuas acabou por perder-se dos companheiros.
de repente, viu um veado enorme, de porte real, que parecia desafiá-lo, e esporeou a montanha para não perder aquela oportunidade. o veado deixou que o cavaleiro se aproximasse audaciosamente e lançou-se em louca correria em direcção à beira do penhasco rochoso. d. fuas, que galopava meio cego de entusiasmo, não reparou onde se encontrava senão quando viu o veado atirar-se no abismo. tentou sopear o cavalo, mas a velocidade era tal que nenhuma força humana o conseguiria parar. num segundo, o cavaleiro anteviu as consequências e insensivelmente invocou a senhora da nazaré que, de imediato, surgiu no céu, frente à montada. o cavalo estacou imediatamente, fincando com tanto desespero os cascos traseiros na rocha, que ainda hoje existe.
no fundo do precipício, nas rochas frente ao mar, o veado estatelou-se e desfez-se em fumo negro: era o diabo a tentar o cavaleiro.
em agradecimento deste miraculoso salvamento, d. fuas mandou construir a capela da memória, ali, junto à lapa onde fora encontrada a imagem da senhora da nazaré, no mesmo sítio onde o seu cavalo estacara.
dois anos mais tarde, d. fuas morreu, não em perseguição de demónios com corpo de veado, mas dando luta aos mouros com a sua armada de vinte e dois navios, nas costas de ceuta.

 

retirado do livro “lendas portuguesas” investigação, recolha e textos de fernanda frazão
amigos do livro, editores, lda.

 

6 anos… ao contrário das outras crianças, ansiava por este dia!

na escola certamente teria a liberdade que tanto desejava, poderia correr, brincar e jogar à bola e aquilo que mais ansiava… poderia arranjar amigos! oh, que felicidade seria!

não pensem que não queria aprender, queria e desejava muito também isso; mas ter amigos… era isso que o fazia sonhar com a escola!

em casa, nas semanas anteriores ao desejado dia vivia-se um inesperado frenesim, algo que ele não percebia bem! a ma~e não o largava um minuto e o pai, normalmente distante, andava estranhamente afectuoso… até o levou ao parque um dia!!!

quando chegou o desejado dia, percebeu a razão de tanto movimento à sua volta… ele não iria para a mesma escola dos restantes meninos da sua rua… iria para uma escola distante, onde ninguém ria, ninguém corria e muito menos jogavam à bola!

com apenas seis anos, entrou para um colégio militar interno… os pais acharam que educá-lo daria demasiado trabalho…

reparei agora mesmo, chamado à atenção por um bom amigo que o nosso personagem ainda não tem nome… e passar o resto do tempo a chamá-lo por personagem é, digamos de pouca imaginação… mas não quero decidir sozinho, quero as vossas ideias, a vossa imaginação a trabalhar!

comentem com o nome que acham que a nossa personagem deve ter… homem? mulher?

ajudem-me…

se em bebé já era muito protegido, quando chegou a idade de ir para a rua brincar com as outras crianças da sua idade e ele começava a pensar que poderia ter alguma liberdade, tudo piorou! ainda era quase um bebé, tinha apenas 4 ou 5 anos, mas era forçado a aprender, a estudar aquilo que a família desejava; já lia bem e escrevia o seu nome e o dos familiares mais próximos na sua letra tosca, mas não tinha o que desejava, liberdade para brincar com aqueles a quem um dia sonhou chamar amigos…

para mais teve azar na vida; nasceu canhoto e assim seria, sem nenhum mal até ao final da sua vida se um tio, a quem obrigaram a começar a escrever com a mão direita não pensasse no mesmo para ele… aos 4 anos levava cinturadas e palmadas cada vez que pegava na caneta ou até mesmo na colher da sopa que detestava com a mão esquerda! aos 5 anos já fazia tudo com a mão direita, mas já se tinha fechado no seu mundo, já não havia retorno possível!

nunca brincou na rua com os seus amigos

enquanto bebé foi muito protegido…

protegido pelo pai, que trabalhava dia e noite, mas mantinha a disciplina com mão de ferro; tinha de comer tudo o que lhe era colocado à frente sem reclamar nem fazer birras, tinha de aprender a ler antes de ter idade para andar…

protegido pela mãe, que lhe queria todo o bem do mundo, mas não sabia bem o que havia de fazer com um bebé nos braços… era demasiado nova para cuidar de uma criança… até mesmo de si própria, mas fez o melhor que pode…

protegido por toda a família que via nele a salvação da mediocridade a que estavam rendidos; queriam ser grandiosos, mas eram todos menos que alguém e isso não os deixava contentes… viam nele o futuro brilhante que todos queriam ter tido e nenhum atingiu, como se fosse possível prever a grandiosidade de uma criança só porque alguém assim o deseja!

nasceu em dia incerto, numa perdida província de Portugal, no meio de uma noite fria e a mãe não teve nenhuma ajuda, este só todo o tempo que durou o parto! o pai? esse estava por fora, com os amigos ou as amigas!

nasceu sem futuro, nem perspectivas de poder vir a ter um…

nos próximos dias poderemos ficar a saber mais da vida desta personagem… com a vossa ajuda! enviem sugestões…

para mim não há estória como uma boa lenda, tão do hábito português… por isso o melhor para começar. escolhi uma lenda de beja, por ser onde moro e gostava que me enviassem da vossa região. participem…

 

 

 

as histórias de lobisomens e de bruxas são vulgares no meio rural tradicional. maus encontros com animais a horas tardias, doenças provocadas por mau querer (feitiçarias), filtros de amor (beberagens para atrair ou afastar paixões), visões, vozes, são elementos do vasto manancial do imaginário popular sobre forças maléficas. há, contudo, outro tipo de histórias que são comuns a várias aldeias e vilas do alentejo. é o caso da estranha luz que, de noite, acompanhava os viajantes (normalmente pastores, almocreves e, mais recentemente, tractoristas que de noite procedem às grandes charruadas). era uma luz que seguia o caminhante sem, contudo, o incomodar. a luz acompanhava o viajante, seguindo a seu lado, parando quando este parava, e acompanhando a velocidade da deslocação. nenhuma das pessoas que afirmam ter estado em contacto com o fenómeno, esboçou qualquer reacção. para essa passividade contribuiu seguramente o facto de ser conhecida a reacção da luz quando atacada. o fim da história aqui apresentada é relativamente benéfico. noutras descrições, que a tradição popular registra, a luz, quando hostilizada, conduz à morte do atacante.

história veridica: algures na região de beringel (beja), havia um sujeito que não acreditava em coisas estranhas, daquelas que se contam nas aldeias. naquele tempo, corria o boato de que havia no campo uma espécie de luz vermelha que andava de um lado para o outro, mas que não se deixava ver de perto. os mais velhos afirmavam que já a tinham visto, e esse homem que não acreditava disse, na brincadeira:

- “se eu a encontrar, desfaço-a toda aos bocados com o meu cajado”

o que vos conto a seguir é a narração do próprio.

“numa noite, eu ia guinado a minha charrete e lá estava à minha frente a luz vermelha parada em cima do muro. saí, peguei no cajado e disse com ar forte e corajoso:

- já que aí estás, então espera, que já vais ver o que é para a saúde!

e assim dirigi-me até junto dela e tentei dar-lhe com o cajado, mas não consegui porque ela se desviou. continuei à cajadada com ela, mas falhava sempre e ia ficando mais furioso. voltei para a charrete quando ela se voltou contra mim. não sei o que aconteceu (parecia que estava levando uma grande tareia) e desmaiei. os cavalos voltaram para casa e eu fui na charrete como morto. na manhã seguinte, a minha mulher, já preocupada, foi ver se eu estava dormindo na charrete. ela diz que eu estava com a roupa toda rasgada, todo cheio de sangue, que parecia morto. mas estava apenas desmaiado. depois a minha mulher tratou de mim e nunca mais quis ouvir falar dessa luz.”

 

estórias e outras conversas… não pretendo fazer deste blog uma coisa tradicional e sim algo de interactivo. espero em breve ter aqui amigos de longa data e outros novos que vão aparecendo e se assim o desejarem, vão ficando.

comentem, mandam as vossas estórias e histórias para estoriaseoutrasconversa@gmail.com, que certamente todas serão publicadas ou avisem-me e serão adicionados como escritores para este espaço, com total liberdade para publicar o que entenderem.

espero por vós.

luís